Como o dólar baixo e o governo Trump podem influenciar o turismo nos Estados Unidos

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A baixa cotação do dólar é um motivo a mais para os turistas viajarem para os Estados Unidos. Por outro lado, as medidas restritivas do governo Trump podem enfraquecer o turismo no país?

Apesar do frio norte-americano diminuir um pouco o interesse dos turistas em viajar para os Estados Unidos durante o inverno, outros fatores vem refletindo positivamente nos últimos meses e mantendo a procura por destinos no hemisfério norte do continente americano. Além de uma certa melhora na economia brasileira, a queda da cotação do dólar e maiores ofertas das companhias aéreas e hospedagem têm levado mais brasileiros, principalmente à terra do Tio Sam.

Turismo em Miami aumentou com a baixa do dólar

Miami é um exemplo claro disso. Com sua temperatura amena de 22° (média) nesta época do ano, o turismo na Florida está bombando. Ao contrário de outras regiões, a alta temporada em Miami (que vai de novembro a abril) é durante o inverno (lá nos Estados Unidos),  quando o clima é ótimo e ocorrem menos chuvas, e é quando a cidade fica cheia. Nessa época, tanto turistas locais como internacionais fogem do inverno rigoroso na maioria das cidades americanas e procuram abrigo em Miami.

Mas nem sempre foi assim. Quando o dólar atingiu R$ 4,16 em janeiro do ano passado, o brasileiro receoso freou seus projetos de viagem principalmente para um lugar onde além de passear, uma das principais coisas a fazer é comprar. É por isso que nesta temporada, com a cotação do dólar a R$ 3,10, os turistas voltaram com tudo para Miami.

“A baixa do dólar certamente influenciou no fluxo de brasileiros em Miami nos últimos meses. Desde fim de outubro estamos sentindo uma procura maior pelos nossos serviços”, diz Thais Lima, diretora da Eagle Tours, empresa de turismo receptivo em Miami.

A médio prazo, a tendência é que o dólar volte a subir um pouco, por isso, neste momento, o turista tem a vantagem de comprar a moeda americana com uma boa taxa de câmbio.

Compras em Miami

Miami é considerada o destino preferido dos brasileiros que desejam fazer compras no exterior. A cidade tem uma estrutura para compras com outlets, shoppings e lojas de departamentos que garantem ofertas durante o ano inteiro. Para muitos, a melhor época para fazer compras em Miami é dezembro, mas em qualquer época do ano o turista brasileiro sai ganhando, pois os preços dos produtos são muito menores que no Brasil, principalmente nos feriados, quando é possível comprar produtos de marcas consagradas como Ralph Lauren, Gucci, Guess, Calvin Klein, Hollister, Dolce Ganaba, Tommy Hilfiger e tantas outras com preços de arrasar.

Para completar o cenário, a alta temporada do turismo em Miami e as promoções coincidem com a valorização do Real frente ao Dólar, uma boa pedida para aproveitar e comprar tudo que for possível.

Já que brasileiro gosta mesmo de fazer compras em Miami, listamos abaixo um calendário de promoções para os próximos meses:

Março
Apesar de não ter nenhum feriado que movimente o comércio, em março acontece a transição entre inverno e primavera, quando as novas coleções da primavera-verão chegam às lojas. Por causa disso, é possível comprar as últimas peças do inverno com grandes descontos.

Abril
Dias 14, 15 e 16 – Na Páscoa as lojas normalmente fecham. Mas durante todo mês, algumas fazem promoções dos lançamentos de roupas de primavera. Nos dias seguintes à Páscoa, é possível encontrar chocolates e outros produtos com grandes descontos.

Maio
Dia 24 – Feriado oficial para homenagem aos militares americanos que morreram em combate. Ocorre sempre na última segunda-feira do mês e durante o fim de semana sempre tem muitas liquidações excelentes.

Melhores lugares para aproveitar promoções em Miami

O Sawgrass Mills é considerado como o maior outlet dos Estados Unidos e atrai milhares de brasileiros diariamente. Com mais de 350 lojas, 50 restaurantes e postos de fast food, o Sawgrass Mills garante preços competitivos em diversos produtos em suas promoções e liquidações, chegando a até 70% de desconto.

Outra boa opção é o Shopping Dolphin Mall, que conta com 240 lojas e está mais perto do centro de Miami que o Sawgrass Mills. Por causa do tamanho e dos preços e promoções tão bons quanto dos outlets, o Dolphin Mall também é considerado um outlet (mesmo sem ser) e um dos melhores lugares para comprar em Miami.

Governo Trump poderá influenciar no turismo no país?

Depois de começar a pôr em prática as promessas de campanha ao proibir a entrada de viajantes procedentes de Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália, Sudão e Iêmen, as medidas de segurança do novo governo podem impactar também turistas de outros lugares. Desde janeiro, os Estados Unidos aumentaram as restrições para emitir vistos, surpreendendo turistas brasileiros. Em Porto Alegre, viajantes que foram ao Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (Casv) já encontraram mudanças como a isenção de entrevista para idosos apenas a partir de 80 anos (antes, a regra valia para maiores de 66) e para jovens de até 13 anos, em vez de 16. O limite de renovação para um visto expirado caiu de quatro anos para um.

Ao mesmo tempo, o embaixador brasileiro em Washington, Sergio Amaral, garantiu, em uma entrevista dada a Revista Brasil, que a concessão de vistos para brasileiros que desejem ingressar nos Estados Unidos, seja por questões de negócios ou turismo, deverá ser facilitada no governo Trump.

Para Ayrton Lima, da Eagle Tours, brasileiro residente em Miami há 30 anos, a perspectiva é que o turismo não seja afetado: “O turismo de brasileiros aqui nos Estados Unidos está diretamente ligado à cotação do dolar. Bastou o valor do Dólar baixar em relação ao Real para que aumentasse a procura pelos nossos serviços de transfer, passeios e tour de compras. Assim, se o valor do dólar se mantiver estável durante o ano, isso vai assegurar o turismo brasileiro por aqui”.

Busca por outros destinos turísticos

Como o governo Trump é ainda recente e, de certa forma, uma incógnita, não está claro o que pode acontecer em relação ao turismo. As medidas de segurança visam proteger o país e, certamente, não afugentar turistas. Por outro lado, essas incertezas e maiores dificuldades de obter visto para os Estados Unidos, caso continuem, poderão, ao menos no curto prazo, refletir positivamente em relação a outros destinos como América do Sul (mais perto do Brasil) e Europa.

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