Valorização do Real frente ao Dólar volta a estimular importações

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Câmbio tem impacto direto no poder de compra da moeda brasileira no exterior e mexe com o mercado de importação e exportação.

Uma das regras de economia afirma que quanto mais o Real se valoriza frente ao Dólar, mais barato fica para realizar importações de produtos ou fazer compras no exterior. Tanto as empresas importadoras quanto os turistas que viajam para fora do país se beneficiam quando o câmbio pende a favor do dinheiro brasileiro.

A lógica é a seguinte: com a alta da cotação da moeda brasileira no mercado internacional, seu poder de consumo aumenta. Afinal, é muito mais barato comprar um produto no estrangeiro quando o Real está cotado a R$ 2,00 para cada Dólar do que quando está na casa dos R$ 4,00, por exemplo. No primeiro caso, um bem de consumo custará a metade do preço se comparado ao segundo.

No entanto, 2016 não foi um grande ano para as importações, e as compras do turista brasileiro no exterior não foram tão altas quanto antes quando o a cotação do Dólar frente ao Real era mais baixa. Também grandes empresas importadoras de nível mundial apresentaram desaceleração, e o Brasil seguiu a onda. Por aqui, o recuo na compra de importados foi de 20% no ano passado.

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Importações voltam a crescer com desvalorização do dólar

O cenário comercial, no entanto, começa a dar indícios de que a balança vai mudar, e dessa vez a favor das importações. Embora 2016 tenha apresentado baixas no volume de importados na ordem de 33,4% no primeiro, 23,9% no segundo e 13,2% no terceiro trimestre do ano, em dezembro o volume de compras aumentou em 19,6% com relação ao mesmo período de 2015.

Isso porque a o Real deu início a uma guinada de valorização frente ao Dólar nos últimos meses. Se em dezembro de 2016 a moeda americana estava cotada a R$ 3,47, agora, no último dia de janeiro, a cotação do dólar comercial fechou em R$ 3,15.

A queda do dólar levou o Banco Central, por meio do mais recente relatório Focus, a reduzir a estimativa do mercado de câmbio para 2017: há quatro semanas a cotação da moeda americana estava a R$ 3,49, e agora, no último boletim, está a R$ 3,41

Trump: o fator que vem estimulando a queda do Dólar

Um dos principais motivos apontados por especialistas do mercado para a queda da cotação do dólar frente ao real é a política protecionista e de cunho conservador anunciada pelo novo presidente dos EUA, Donald Trump.

O presidente republicano assinou no último dia 23 de janeiro a retirada oficial dos EUA do acordo comercial Parceria Transpacífico, um dos maiores do mundo, mantido em conjunto com 12 nações, sob o pretexto de recuperar o pleno emprego do povo americano.

No entanto, a medida que fecha os Estados Unidos e dificulta a relação comercial com outros países, contribuiu para deixar o mercado internacional mais cauteloso, pois o discurso de posse de Trump, bem como sua política econômica, continuam uma incógnita. O efeito imediato foi a queda do dólar no mercado cambial.

Fica uma incógnita aí:  as medidas de Donald Trump, que mudam o relacionamento comercial dos Estados Unidos com outros países, vão impactar também as importações de produtos americanos no Brasil?

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